Algumas semanas depois das aparições, atendendo ao conselho de Nossa Senhora de que deviam aprender a ler, as três crianças se matricularam na escola. Com isso, a vida ficou ainda mais complicada, pois a todo momento viam-se incomodados com perguntas indiscretas.
A dificuldade era ainda maior para Francisco. Por mais que se esforçasse, não conseguia pôr atenção nos livros. Na primeira oportunidade, fugia para a Igreja, a fim de visitar "Jesus escondido" no Santíssimo Sacramento. Ajoelhava-se diante do sacrário, fazendo companhia a Nosso Senhor e recitando seus muitos Terços, conforme lhe havia recomendado a Mãe de Deus.
Antes das aparições, o menino sentia dificuldade em rezar, mas já não era assim. Auxiliado pela graça divina, o pequeno pastor abraçara com toda a alma a missão que lhe fora confiada pela Santíssima Virgem. Enquanto Lúcia deveria permanecer na Terra para divulgar a Mensagem, e Jacinta sacrificar-se e rezar pela conversão dos pecadores, tocava a ele a função de consolar Nosso Senhor e Nossa Senhora, pela tristeza que Lhes causavam os pecados cometidos no mundo.
Confortar Nosso Senhor e o Imaculado Coração de Maria: este o ideal que o pastorinho buscou sem cessar, até o momento de sua bela e comovente morte.
| Francisco |
- Francisco! Por que não me diz para rezar com você e mais a Jacinta?
- Gosto mais de rezar sozinho, para pensar e consolar a Nosso Senhor, que está tão triste! - respondia ele. Noutra ocasião, já depois das aparições, Lúcia insistiu em saber as preferências do primo:
- Francisco, de que você gosta mais: de consolar Nosso Senhor, ou de converter os pecadores, para que não vão mais almas para o Inferno?
- Gosto mais de consolar Nosso Senhor. Não reparou como Nossa Senhora, ainda no último mês, ficou tão triste, quando disse que não ofendessem a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido?! Eu quero consolar Nosso Senhor e, depois, converter os pecadores, para que não O ofendam mais.
| Lúcia |
E quando Lúcia ia até ele, amargurada pelas perseguições que sofriam na sua própria família, Francisco procurava animá-la com estas palavras:
- Deixa para lá! Não disse Nossa Senhora que teríamos muito que sofrer, para reparar a Nosso Senhor e o seu Imaculado Coração, de tantos pecados com que são ofendidos? Eles estão tão tristes! Se com estes sofrimentos pudermos consolá-los, já ficamos contentes.
Tal objetivo nunca abandonava o pensamento do pastorinho, nem mesmo nos momentos em que a meditação sobre a infinita glória do Criador o deslumbrava. "Na terceira aparição", recorda a Irmã Lúcia, "Francisco pareceu ser o que menos se impressionou com a vista do Inferno, embora lhe causasse também uma sensação bastante grande. O que mais o impressionava ou absorvia era Deus, a Santíssima Trindade, naquela luz imensa que nos penetrava no mais íntimo da alma. Depois, dizia:
- Nós estávamos ardendo naquela luz, que é Deus, e não nos queimávamos! Como é Deus! Não se pode dizer! Isto, sim, que a gente nunca pode dizer! Mas que pena Ele estar tão triste!
Se eu pudesse consolá-Lo!..."
(Livro Jacinta e Francisco Prediletos de Maria - Monsenhor João Clá)
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